O Chile se consolida no mapa mundial da filosofia graças a histórica conferência liderada pela FAHU

Pela primeira vez em sua história, a Conferência Anual da Associação Internacional para a Filosofia do Tempo (IAPT, por sua sigla em inglês) é realizada na América do Sul, consolidando à Faculdade de Humanidades como um polo de pesquisa de vanguarda em escala global. 

Uma pessoa está fazendo uma palestra, enquanto o público ouve atentamente e um cinegrafista tira uma foto.

Durante três dias intensos (7, 8 e 9 de julho), a Universidade de Santiago do Chile (Usach) tem se tornado o eixo central da discussão em filosofia do tempo. A décima edição da Conferência Anual da IAPT reuniu no Centro de Estudos de Pós-Graduação e Educação Continuada (Cepec) aos mais destacados especialistas, acadêmicos e pesquisadores para debater sobre a natureza, percepção e física do tempo, um enigma que tem cativado ao pensamento humano desde seus inícios.    

O evento, patrocinado pela Usach com financiamento da Universidade Wake Forest e o Fundo de Filosofia Thomas Jack Lynch, não representa apenas um reconhecimento à crescente influência da academia sul-americana no panorama filosófico global, mas também ao sólido apoio institucional de nossa Casa de Estudos à pesquisa de excelência.

O Dr. Carlo Rossi Fernández, acadêmico do Departamento de Filosofia da Usach e organizador da instância, destacou a transcendência do encontro. “A décima conferência dessa associação teve lugar pela primeira vez num país fora da Europa, os Estados Unidos e a Austrália. É um marco interessante porque traz para um país como o Chile eventos que comumente ocorrem nesses países”, ressaltou. Para o Dr. Rossi, isso permite que especialistas de todo o mundo apresentem em nossa universidade “pesquisa original no que poderíamos chamar como os limites de cada um desses debates”.          

A conferência caracterizou-se pelo nível de suas palestras, que abordaram temas na fronteira do conhecimento atual. Joaquín Aldoney, estudante de graduação em processo de tese da Universidade Católica e assistente, descreveu a experiência como “altamente estimulante” e uma “oportunidade bastante única”. “Os temas que estão sendo tratados estão na vanguarda da pesquisa atual em filosofia do tempo. São posturas que ainda não se tem explorado, problematizações de coisas que estão muito recente na literatura”, afirmou, salientando a atmosfera de inovação que se percebeu em cada sessão.

Essa vanguarda foi nutrida por um enriquecedor diálogo interdisciplinar. Oscar Orellana, acadêmico do Departamento de Matemáticas da Universidade Técnica Federico Santa María, valorizou a interação com os filósofos. “Pensam de uma forma um pouco diferente no sentido que são mais metafísicos. Desde esse ponto de vista, esse trabalho interdisciplinar é muito interessante. O contato, a interação, permite-me aprender muitas coisas deles”, explicou.

A diversidade de perspectivas foi uma constante. Florian Gatignon, estudante de doutorado da Universidade de Genebra, apresentou sua pesquisa sobre como os objetos persistem no tempo, questionando a teoria intuicionista do “Endurantismo”. Por sua vez, Graeme Forbes, da Universidade do Kent, refletiu: “O palestrante e a maioria dos que perguntavam eram falantes nativos de diferentes línguas, e se uniram para encontrar uma forma de falar sobre esse tema tão difícil. É uma coisa incrivelmente bonita que existam espaços no mundo onde possamos fazer isto”.

Em relação à gestão de instâncias como essa, o Dr. Rossi ressaltou que “a condição para que ocorram esse tipo de eventos é que tem que haver um apoio institucional como o que existe na Universidade de Santiago”. Este compromisso, que se traduz nas condições materiais e o apoio a um corpo acadêmico de excelência, “é uma coisa muito notável, muito excepcional da Usach”.

Esse apoio, conclui Rossi, beneficia diretamente à comunidade estudantil. “Se um, por exemplo, está considerando estudar o que nós podemos oferecer em graduação, com nossa pedagogia em Filosofia ou o Mestrado de Filosofia das Ciências, é inevitável se ver beneficiado com isso. Isso demonstra um corpo acadêmico comprometido com a excelência da pesquisa, mas também com uma universidade que institucionalmente apoia isso.

A bem-sucedida décima Conferência Anual da IAPT não só deixa uma parada inesquecível no debate filosófico, também reafirma o papel da Universidade de Santiago e sua Faculdade de Humanidades como um farol de pensamento crítico e rigor acadêmico com projeção internacional.

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