Pesquisadores da Usach trabalham no maior telescópio do mundo

Trata-se de Miguel Cárcamo, do Departamento de Engenharia de Computação, e Sebastián Pérez, do Departamento de Física, que integram a equipe de cientistas que, há alguns anos, trabalham na construção do maior telescópio do mundo como parte do Square Kilometre Array Observatory (SKAO).

Um grande radiotelescópio esférico branco se ergue sobre uma estrutura metálica, em uma colina coberta de vegetação, com um céu azul intenso ao fundo.

Há alguns anos, iniciou-se o trabalho na construção do maior telescópio do mundo como parte do Square Kilometre Array Observatory (SKAO).

Ele funcionará na África do Sul e na Austrália, com o objetivo de estudar a evolução do universo desde seus primeiros estágios após o Big Bang, compreender como as galáxias se formam e evoluem, caracterizar os campos magnéticos cósmicos, explorar o espaço intergaláctico, observar buracos negros e ambientes extremos com grande detalhe e usar pulsares para detectar ondas gravitacionais de baixa frequência. Além disso, o SKA contribuirá para a busca por condições que favoreçam a vida em outros sistemas planetários.

A primeira antena do radiointerferômetro SKA-Low foi instalada em março de 2024. Em agosto, foram construídas antenas em quatro das 512 estações do telescópio, o que significa que mais de 1.000 de suas antenas de dois metros de altura foram montadas e instaladas por técnicos de campo.

Diversos pesquisadores chilenos estão trabalhando nesse telescópio. Um deles é Miguel Cárcamo, acadêmico do Departamento de Engenharia de Computação da Universidade de Santiago. "O SKA é um radiointerferômetro que, quando estiver operacional, será o maior do mundo. Terá uma sensibilidade e uma faixa de frequências muito ampla, especialmente em frequências baixas, o que permitirá estudar estruturas enormes do universo, tanto dentro quanto fora de nossa galáxia. Isso inclui gás difuso, remanescentes de supernovas, galáxias distantes com emissão estendida e até mesmo sinais muito fracos do meio intergaláctico", afirmou o doutor em Astronomia e Astrofísica pela Universidade de Manchester.

Foi precisamente na cidade britânica que conheceu pessoas que trabalhavam no observatório e com campos magnéticos, e foi daí que se integrou à equipe. "O SKAO permitirá explorar uma parte enorme do universo com uma precisão sem precedentes. Sua capacidade permitirá estudar a formação e evolução das galáxias, compreender o universo primordial, investigar o papel dos campos magnéticos e observar fenómenos extremos como buracos negros e pulsares, além de contribuir para a busca por condições que favoreçam a vida em outros sistemas planetários", afirmou Cárcamo.

Embora o processo tenha sofrido atrasos devido a diversas circunstâncias, estão sendo realizadas conferências ao redor do mundo para mostrar os avanços.

"Apesar do SKAO ainda estar em construção, já podemos avançar graças a simulações e outros radiointerferômetros que funcionam como precursores ou pathfinders. Os precursores são instalações intimamente ligadas ao SKAO, que contribuem diretamente para seu desenvolvimento. Os pathfinders, por outro lado, são observatórios independentes, mas com tecnologias ou capacidades semelhantes, que nos permitem testar algoritmos e preparar a ciência que será realizada com o SKAO", explicou o acadêmico da Usach.

No Chile, além de Miguel Cárcamo e outros especialistas de outras universidades, faz parte da equipe de pesquisadores o astrônomo e professor do Departamento de Física da Usach, Sebastián Pérez. Estiveram juntos em uma conferência em Görlitz, na Alemanha, onde estavam todos os astrônomos que estão trabalhando na elaboração dos casos científicos para uso no observatório.

"Ele vai começar a fazer suas primeiras observações, sua primeira luz, em alguns anos. Já estaremos utilizando o telescópio de forma mais regular", indicou Pérez.

Sobre a conferência, afirmou que "tive que fazer duas apresentações, uma delas foi uma das plenárias, na verdade. E vai ser muito importante para complementar o que fizemos aqui no Chile com o ALMA. É um telescópio que opera em um comprimento de onda, ou seja, que observa luz, que observa radiação eletromagnética em cores que o ALMA não consegue captar".

Para Sebastián Pérez, esse telescópio "vai nos abrir uma janela de observação para os locais onde os planetas estão se formando e o material sólido que está se reunindo para formar planetas neste momento".

Mais detalhes sobre o projeto, as conferências e os avanços podem ser encontrados em https://www.skao.int/en.

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